Como funciona um gráfico de Gantt de um APS?

Como sabemos que um mapa representa um território? Sabemos isso graças a uma série de convenções sobre como representamos a realidade, por exemplo a representação do azul para as águas em um mapa ou de uma linha contínua para uma fronteira entre dois países. Elas são tão corriqueiras no nosso dia a dia que praticamente não notamos quando as estamos utilizando. Da mesma forma acontece com um sistema APS (Advanced Planning and Scheduling), para traduzir o que acontece na fábrica em uma tela visual para o usuário criou-se algumas convenções próprias. Irei apresentá-las a vocês para auxiliar na compreensão do sequenciamento gerado pelo programa.

O papel branco

A primeira representação, que não é exclusiva do sistema APS, é o gráfico de Gantt. Ali é onde tudo acontece. No eixo x (horizontal), temos a perspectiva do tempo. A partir dele é possível ver quando inicia e finaliza uma operação ou quando se finaliza um setup, assim como as suas respectivas durações. Já no eixo y (vertical) é representado cada recurso produtivo, assim fica bem simples de analisar o roteiro de produção de um produto.

Nessa imagem é possível verificar qual o caminho que essa ordem de produção fará na fábrica

Como se pode ver na imagem acima, existem algumas maneiras visuais de representar o que está sendo planejado em cada recurso produtivo. A barra horizontal mais espessa representa as operações produtivas que estão planejadas. Por outro lado, temos entre algumas operações o inimigo de todo sequenciamento: o setup. Para o sistema APS, ele é representado por uma barra horizontal preta mais fina. Você também deve ter percebido também que sobre algumas operações existe uma linha vermelha. Pois bem, essa é a maneira como se representa o outro grande inimigo do sequenciamento: o atraso.

Nem tudo está as suas mãos em todos os momentos

Adicionalmente, temos como visualizar os turnos de produção de cada recurso.  Há diversos motivos para uma máquina não estar apta para realizar alguma operação, igualmente existem diversas cores e layouts para representar cada razão de uma parada. Uma manutenção corretiva pode ser mais grave e preocupante que uma parada para almoço, conforme o exemplo abaixo, assim o mais grave tem as cores mais chamativas.

No primeiro recurso temos somente uma parada para refeição de uma hora, ao passo que no recurso PRE2 temos uma parada de máquina de 8 horas

Quem precisa de quem?

Por último, gostaria de apresentar como demonstramos os relacionamentos e as dependências entre operações, ordens e matérias-primas. Quando se trabalha com uma ordem de produção com várias operações, usualmente no conceito mais simples, deve-se aguardar a operação 10 finalizar para iniciar a operação 20. Para esses casos, representa-se por uma linha continua entre as operações. Porém, existem alguns processos produtivos que temos ordens de produção intermediárias que fornecem para outras ordens. Apesar de a segunda ordem depender da primeira para poder iniciar, assim como no exemplo anterior, representamos isso de maneira diferente devido ao consumo de um produto intermediário. Para esses casos, uma linha pontilhada é a maneira ideal de demonstrar esse relacionamento. Da mesma forma que essa última forma de dependência, também temos sobre as matérias-primas e as ordens de produção. É possível que uma ordem consuma uma matéria-prima tanto de uma ordem de compra, quanto de um item no estoque. Porém para o sequenciamento dessas ordens, o que realmente interessa é a data que esse produto estará pronto para ser consumido por uma ordem. Esses pontos de chegadas de material são representados por losangos cinzas na linha de fornecimento do gráfico de Gantt.

Note a diferença entre as linhas que interligam as operações de mesma ordem de produção e as que ligam diferentes ordens.

Terra à vista!

Poderia me estender muito mais esse post sobre outras convenções e até exemplos de representações que foram criadas especificamente para um projeto. Agora que não temos mais risco de confundir o mar com a terra, você já está pronto para descobrir o novo mundo com o sistema APS.

Arthur Pontalti
Engenheiro de Produção pela UFRGS e pelo Grenoble INP da França. Admirador das filosofias Lean e Teoria da Restrições, observa os conceitos tanto no dia-a-dia quanto desenvolvendo novas soluções. Já utilizou essa "sina" tanto em organizações públicas como também em startups. Curti um bom futebol e uma boa música, além de conhecer novos lugares ao redor do mundo e suas cervejas.
Leia mais posts de Arthur Pontalti